Maçons no 15/11 e no 20/11: templo maçônico em São Paulo
Publicado em 04/11/2026 · Templo Maçônico Fraternidade São Paulo

Novembro é o mês em que a história do Brasil aparece de forma mais nítida no calendário — e, para quem estuda a Ordem, é também um mês de leitura atenta. No templo maçônico em São Paulo que mantemos na Vila Gomes Cardim, duas datas voltam sempre à conversa entre os irmãos: 15 de novembro, a Proclamação da República, e 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Em ambas a historiografia registra a presença de maçons. Este artigo aprofunda esses registros e, principalmente, o que eles cobram de quem frequenta um templo hoje, aqui na Zona Leste.
15 de novembro de 1889: a República e um Grão-Mestre na Presidência
Em 15 de novembro de 1889 foi proclamada a República. O marechal Deodoro da Fonseca, que a proclamou e se tornou o primeiro presidente, era maçom — e, entre 1890 e 1892, ocupou o posto de Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil enquanto estava no poder. O dado é lembrado até em registros do Senado Federal sobre a participação maçônica na história do país, que citam também nomes como Quintino Bocaiúva e Benjamin Constant entre os membros ativos da Ordem naquele movimento.
Vale notar a sequência: Deodoro assumiu a Presidência em 15 de novembro de 1889, deixou o cargo em 23 de novembro de 1891 e morreu em agosto de 1892, poucos meses depois de encerrar o período como Grão-Mestre. Foi, portanto, um tempo curto e politicamente conturbado — nada parecido com o enredo de bastidores que a imaginação popular costuma desenhar.
Por que isso não é “mérito da Maçonaria”
É aqui que o estudo sério se separa da lenda. A República foi obra de militares, cafeicultores, republicanos civis, abolicionistas e de uma monarquia desgastada. Havia maçons em várias dessas frentes, inclusive em lados opostos. Dizer que “a Maçonaria fez a República” é tão impreciso quanto dizer que ela não teve nada a ver com o período. O que se pode afirmar com honestidade é mais modesto e mais interessante: as lojas eram, no século XIX, um dos poucos espaços em que homens de origens diferentes discutiam liberdade, cidadania e instrução pública em pé de igualdade. Esse hábito de debate formou gente que depois agiu na vida civil.
20 de novembro: Luís Gama, a Loja América e a liberdade conquistada nos tribunais
O 20 de novembro é feriado nacional desde a Lei nº 14.759, de 21 de dezembro de 2023, que transformou em feriado a data já instituída em 2011 como Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Em 2026, cai numa sexta-feira. Para nós, é dia de lembrar um paulistano por adoção: Luís Gama.
Nascido livre na Bahia e vendido ilegalmente como escravo quando criança, Gama aprendeu a ler na adolescência, tornou-se rábula — advogado sem diploma, autorizado a atuar em primeira instância a partir de 1869 — e levou a luta abolicionista para dentro do Judiciário, provando a ilegalidade de escravizações e conquistando alforrias processo a processo. Os números atribuídos a ele variam conforme a fonte, mas a dimensão do trabalho é reconhecida por pesquisas acadêmicas e por reportagens especializadas. Em 2015, mais de 130 anos após sua morte, em 1882, a OAB o reconheceu formalmente como advogado.
O que a loja tem a ver com isso
Luís Gama era maçom da Loja América, aqui em São Paulo — então uma das mais populares da cidade. A loja apoiou campanhas de arrecadação para compra de alforrias e a criação de escolas e bibliotecas populares; em 1881 ele ainda criou a Caixa Emancipadora que leva seu nome. É um exemplo concreto do que mencionamos acima: o princípio discutido dentro do templo só tem valor quando sai dele e vira ação — petição, aula, livro aberto, dinheiro arrecadado.
Graus filosóficos em São Paulo: estudar primeiro, praticar sempre
Nosso trabalho aqui é dedicado aos graus filosóficos em São Paulo, isto é, à continuidade do estudo simbólico e moral depois dos graus iniciais. Não discutimos ritual nem conteúdo reservado em texto público — e isso não é mistério de marketing, é regra da Ordem. O que é público, e deve ser, são os valores: liberdade, igualdade, fraternidade, tolerância e aperfeiçoamento moral.
Datas como as de novembro servem exatamente para medir se esses valores estão virando atitude. Deodoro e Luís Gama, cada um ao seu modo e em escalas muito diferentes, foram homens testados fora do templo. É esse o parâmetro que a Maçonaria na Zona Leste procura manter entre os seus.
Como estudar essas datas sem cair em mitologia
- Vá à fonte primária. Leis, atas, jornais da época e acervos oficiais valem mais do que listas de “maçons famosos” que circulam em redes sociais.
- Desconfie de causalidade fácil. Um personagem ser maçom não explica, por si só, uma decisão política.
- Separe a instituição da biografia. A Ordem não responde pelos acertos nem pelos erros individuais de cada membro.
- Procure o contraexemplo. Se havia maçons de um lado, pergunte quem estava do outro — a resposta costuma ser reveladora.
- Converse com quem estuda. Uma conversa de uma hora num templo esclarece mais do que semanas de vídeos sensacionalistas.
Conhecer o templo maçônico na Vila Gomes Cardim
Funcionamos como templo e como escritório maçônico regional de graus filosóficos, na Rua Serra de Bragança, 1638, a poucos minutos do Tatuapé, Vila Carrão, Vila Formosa, Anália Franco e região. Quem acompanha a Maçonaria no Tatuapé e arredores e quer entender melhor essa história — inclusive a parte incômoda dela — pode falar com nossos irmãos pelo telefone (11) 95127-5215 ou pelo nosso perfil no Instagram.
Recebemos quem chega por interesse sincero, sem pressa e sem promessas: num templo maçônico em São Paulo o primeiro passo nunca é um compromisso, é uma conversa. Neste mês de novembro, ela pode começar por uma pergunta simples: o que eu faço, fora daqui, com aquilo que digo acreditar?
Perguntas frequentes
O 15 de novembro tem relação com a Maçonaria?
Há um registro histórico: Deodoro da Fonseca, que proclamou a República em 1889, era maçom e foi Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil entre 1890 e 1892, já como presidente. Isso não significa que a Ordem tenha “feito” a República — havia maçons em frentes políticas diferentes, inclusive opostas.
Luís Gama era maçom?
Sim. Era membro da Loja América, em São Paulo, que apoiou campanhas de alforria e a criação de escolas e bibliotecas populares. Atuou como rábula (advogado sem diploma, autorizado a partir de 1869) libertando pessoas nos tribunais, e em 2015 a OAB o reconheceu formalmente como advogado.
20 de novembro é feriado nacional?
Sim. O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra existe desde 2011 e virou feriado nacional pela Lei nº 14.759, de 21 de dezembro de 2023. Em 2026, a data cai numa sexta-feira.
O que são graus filosóficos na Maçonaria?
São a continuidade do estudo da Ordem depois dos graus iniciais, dedicada ao aprofundamento filosófico, simbólico e moral. Conteúdo de ritual não é tratado publicamente; os valores, sim — liberdade, igualdade, fraternidade e aperfeiçoamento moral.
Onde fica o templo maçônico na Zona Leste de São Paulo?
Na Rua Serra de Bragança, 1638, Vila Gomes Cardim, São Paulo/SP — a poucos minutos do Tatuapé, Vila Carrão, Vila Formosa, Anália Franco e região. Contato: (11) 95127-5215 ou Instagram @maconariadesp.
Como faço para conhecer o templo e conversar com os irmãos?
Basta entrar em contato pelo telefone (11) 95127-5215 ou pelo Instagram @maconariadesp e combinar uma conversa. Não há inscrição, prazo nem compromisso: o primeiro passo é sempre o diálogo, no tempo de quem procura.